O dilema moral

IBFTO 9 de março de 2015 0
O dilema moral

A moralidade parece preocupar-se com três pontos.

Em primeiro, com jogo limpo e harmonia entre os indivíduos.

Em segundo, com o que pode ser chamado de “arrumação” e “harmonização” das coisas dentro de cada indivíduo. Em terceiro, com o propósito geral da vida humana: para que o homem foi criado, que rumo dar à frota toda, que peça o maestro deseja que a banda execute. […]

Praticamente todos em todos os tempos concordam (em tese) que os seres humanos devem ser honestos, gentis e dispostos a ajudar uns aos outros. Porém, embora seja natural começarmos assim, se o nosso pensamento sobre a moralidade parar por aí, é a mesma coisa de não termos pensado nada. A menos que avancemos para o segundo ponto — a arrumação interior de cada ser humano —, estamos apenas nos enganando.

Qual a vantagem de dizer aos navios como eles devem navegar para evitar colisões se, na verdade, eles não passarem de banheiras velhas, que nem sequer têm como ser dirigidas? Qual a vantagem de estabelecer regras de comportamento social, no papel, se sabemos que nossa ambição, nossa covardia, nosso mau humor e nosso egoísmo nos impedirão de observá-las? Não quero dizer, em momento algum, que não devemos pensar seriamente sobre as maneiras de melhorar o nosso sistema social e econômico. O que quero dizer é que toda essa reflexão nada valerá se não percebermos que não há nada, a não ser a coragem e o altruísmo dos indivíduos, que faça um sistema funcionar de forma mais apropriada. É fácil demais acabar com certos tipos de suborno ou ameaça que ocorrem no sistema atual. Porém, enquanto os homens forem enganadores e manipuladores, os seres humanos sempre encontrarão alguma forma de dar continuidade ao velho jogo sob um novo sistema. Não se pode tornar o ser humano bom por decreto: e sem pessoas boas não se pode ter uma sociedade boa.

Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato.

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