Não é justo

IBFTO 8 de maio de 2014 0
Não é justo

Já ouvi gente se queixando de que, se Jesus era tanto Deus quanto homem, então os seus sofrimentos e a sua morte perderiam todo o valor, já que “para ele deve ter sido fácil”.

Outros poderiam (com muita propriedade) censurar a ingratidão e falta de graça dessa objeção. O que me abala nisso tudo são os mal-entendidos a que isso leva. Em certo sentido, os que assim pensam estão corretos. Eles até entenderam bem sua própria questão. A submissão perfeita, o sofrimento pleno e a morte perfeita não foram apenas mais fáceis para Jesus porque ele era Deus — só foram possíveis porque ele era Deus. Contudo, essa não é uma razão um tanto estranha para não aceitar o que ele fez?

O professor é capaz de desenhar as letras para uma criança porque ele é adulto e sabe escrever. Isso, sem dúvida, torna tudo mais fácil para o professor; e só porque é mais fácil para ele é que ele pode ajudar a criança. Se esta o tivesse rejeitado porque “é fácil para os adultos” e esperasse para aprender a escrever com alguma outra criança que não soubesse, ela não avançaria muito rápido.

Imagine que eu estivesse me afogando num riacho e uma pessoa, que ainda tivesse um dos pés na margem, estendesse a mão para salvar a minha vida. Será que eu teria o direito de gritar (quase me engasgando): “Não, não é justo! Você está em vantagem! Você está com um pé na margem”? A vantagem — chame-a de injusta, se quiser — é a única razão pela qual ela pode me ajudar.

Onde você acha que encontrará ajuda se não fixar os olhos no que é mais forte do que você?

Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato.

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