Dois pontos finais

IBFTO 3 de maio de 2014 0
Dois pontos finais

Se parecer que eu compliquei um assunto tão simples, espero que você me perdoe.

Estava ansioso para esclarecer dois pontos. Minha intenção era erradicar aquele tipo de culto não cristão à individualidade do ser humano, que está arraigado no pensamento moderno, lado a lado com nosso coletivismo, pois um erro leva ao erro oposto e, longe de neutralizá-los, eles se agravam. Falo da noção pestilenta (podemos vê-la na crítica literária) de que cada um estreia com um tesouro chamado “personalidade” trancafiado dentro de si e que expandi-lo, expressá-lo, guardá-lo de qualquer interferência e ser “original” é o objetivo principal da vida. Isso é pelagianismo, ou algo pior, que acaba por derrotar a si mesmo.

Nenhuma pessoa que valorize a originalidade será original. Porém, tente dizer a verdade da forma como você a vê; experimente fazer um trabalho bem feito motivado apenas pelo valor do próprio trabalho, e o que chamamos de originalidade surgirá de forma espontânea. Mesmo nesse nível, a submissão do indivíduo à função começará a trazer a verdadeira personalidade à tona.

Em segundo lugar, queria mostrar que o cristianismo não se preocupa, a longo prazo, nem com os indivíduos nem com as comunidades. Nem o indivíduo, nem a comunidade, da forma como os entendemos, podem herdar vida eterna; nem o eu natural, nem a massa coletiva, mas somente uma nova criatura.

Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato.

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