Bem-vindo à família

IBFTO 28 de abril de 2014 0
Bem-vindo à família

A palavra membresia é de origem cristã. No entanto, como o mundo se apropriou dela, tornou-se esvaziada de sentido. Em qualquer livro de lógica você pode encontrar a expressão “membros de uma classe”.

É preciso declarar enfaticamente que os itens ou particularidades inclusos em uma classe homogênea são praticamente o reverso do que Paulo quis dizer com a palavra membros. Para Paulo, membro significa [...] o que nós chamaríamos de órgãos — coisas diferentes uma das outras e complementares; coisas que diferem não apenas em sua estrutura e função, mas também em dignidade.

A diferença entre a verdadeira membresia dentro de um corpo e a mera inclusão dentro de uma coletividade pode ser vista na estrutura de uma família. Os avós, os pais, o filho adulto, a criança, o cachorro e o gato são todos membros verdadeiros (no sentido orgânico), exatamente porque eles não são membros ou unidades de uma classe homogênea. Eles não são intercambiáveis. Cada pessoa é praticamente uma espécie em si mesma. A mãe não é simplesmente uma pessoa diferente da filha; é um tipo diferente de pessoa. O irmão mais velho não é simplesmente uma unidade na classe das crianças; ele é um conjunto separado daquele grupo. O pai e o avô são praticamente tão diferentes quanto o gato e o cachorro. Se você subtrair qualquer um desses membros, não terá simplesmente reduzido a família em termos numéricos, mas também causado uma lesão à estrutura. A unidade familiar é uma unidade de desiguais, quase que de incomensuráveis.

A turva percepção da riqueza inerente a esse tipo de unidade é uma razão por que apreciamos um livro como O Vento nos Salgueiros; um trio como Rato, Toupeira e Texugo simboliza a extrema diferenciação de pessoas em união harmônica, que conhecemos intuitivamente como nosso verdadeiro refúgio tanto da solidão quando da coletividade.

Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato.

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