As regras

IBFTO 2 de março de 2014 0
As regras

Espero que você não interprete mal o que eu vou dizer. Não estou lhe passando nenhum sermão e não pretendo ser melhor do que ninguém.

Tudo o que estou tentando fazer é chamar a atenção para o fato de que esse ano, ou esse mês, ou, bem mais provavelmente, hoje mesmo, falhamos em pôr em prática o tipo de comportamento que esperamos das outras pessoas. Existe todo tipo de desculpa para nós. Aquela vez em que você foi tão injusto com as crianças, foi porque você estava cansado. Todo aquele negócio obscuro insignificante sobre o dinheiro – aquele que você já tinha praticamente esquecido – surgiu quando você estava realmente precisando dele.

E o que você havia prometido fazer para um velho conhecido e nunca fez – bem, você nunca o teria prometido se soubesse o quão terrivelmente ocupado estaria. E quanto ao seu comportamento em relação à sua esposa (ou marido), ou irmã (ou irmão), se eu soubesse o quanto eles poderiam tornar-se irritantes, não me admiraria, pois, afinal de contas, quem é que eu estou pensando que sou? Sou igualzinho aos outros. Isto é, eu não sou sempre bem-sucedido em observar a lei da natureza.

No momento mesmo em que qualquer um me diz que eu a estou quebrando, a minha mente produz um turbilhão de desculpas. A questão que me interessa no momento não é se as minhas desculpas são boas. O fato é que se trata de mais uma prova de quão firmemente, quer queiramos ou não, acreditamos na lei da natureza. Se não acreditamos no comportamento correto, por que ficamos tão ansiosos em apresentar desculpas quando não procedemos corretamente?

A verdade é que acreditamos tanto na retidão – sentimos a regra da lei nos pressionando tanto – que não suportamos encarar o fato de que a estejamos quebrando e, conseqüentemente, tentamos fugir à responsabilidade. Você está percebendo que é só por causa do nosso mau comportamento que buscamos todas essas explicações. Atribuimos somente ao nosso mau humor o fato de estarmos cansados, com medo ou fome; o nosso bom humor atribuimos a nós mesmos.

Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato.

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