A vontade humana: o ponto fraco da criação

IBFTO 27 de fevereiro de 2014 0

Não fazemos ideia de em qual ato, ou série de atos, o contraditório e impossível desejo encontrou expressão. Tudo o que eu consigo enxergar é que isso pode ter sido relacionado à ingestão literal de uma fruta, mas a questão não é conseqüente disso.

Esse ato de vontade própria por parte da criatura, que constitui uma absoluta falsidade em relação à sua posição de criatura, é o único pecado concebível a que se possa atribuir à queda. Pois o problema em relação ao pecado original é que ele deve ter sido hediondo e abominável, ou as suas conseqüências não teriam sido tão terríveis, embora fosse ao mesmo tempo algo que um ser livre das tentações do homem decaído, pudesse ter praticado. O desvio de Deus para o “eu” satisfaz ambas as condições. Trata-se de um pecado possível até mesmo ao homem paradisíaco, pois a simples existência de um eu – o mero fato de que nós o chamemos de “mim” – inclui imediatamente o perigo da idolatria de si mesmo. Como eu sou eu mesmo, tenho de assumir um ato de auto-entrega, não importa o quão pequeno e quão fácil seja para mim viver para Deus, e não, para mim mesmo.

Esse é o “ponto fraco” da própria natureza da criação, o risco que Deus parece achar que vale a pena assumir.

Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato.

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